Você esquece rápido. Seus erros não precisam ir junto.

Em 1885, Hermann Ebbinghaus mediu a velocidade do esquecimento: em uma hora, mais da metade já tinha ido embora. Mais de um século de pesquisa depois, a saída é conhecida. Tentar lembrar, no intervalo certo, exatamente o que você errou.

Com base em

  • Ebbinghaus, 1885
  • Psychological Science, 2006
  • Science, 2008
  • Medical Education, 2009

Chance de lembrar um cartão

Modelo ilustrativo. Cada ponto é uma revisão.

Antes da teoria, um teste com a sua memória.

Ebbinghaus decorava sílabas sem sentido, como estas, para medir a memória sem a ajuda do significado. Você tem 10 segundos para guardar seis. Mais adiante, vamos pedir de volta.

A curva do esquecimento, com os números de 1885.

Ebbinghaus decorou listas de sílabas e voltou a elas depois de 20 minutos, 1 hora, 9 horas e 1, 2, 6 e 31 dias. Toque nos pontos para ver quanto ainda estava lá.

O que ainda estava na memória

Os pontos estão igualmente espaçados; o tempo entre eles, não.

Logo depois de decorar

100%

ainda estava na memória

A lista inteira decorada. É o ponto de partida.

Como ele mediu. Pelo tempo que economizava para decorar a mesma lista de novo. Se levava metade do tempo da primeira vez, metade ainda estava lá.

56%

A maior queda vem primeiro.

É o que já tinha ido embora em uma hora. Justo a janela em que quase ninguém revisa.

7 pontos

Depois, a curva desacelera.

Foi tudo o que se perdeu do 2º ao 31º dia. O que passa dos primeiros dias tende a ficar.

130 anos

E a curva se repetiu.

Em 2015, Murre e Dros refizeram o experimento, com 70 horas de estudo, e encontraram uma curva parecida com a original.

Reler parece estudo. Tentar lembrar é que fixa.

Em 2006, na Universidade Washington em St. Louis, estudantes leram textos em quatro rodadas. Uns só releram. Outros trocaram leituras por tentativas de lembrar o texto, sem olhar.

Veja o que cada grupo lembrava cinco minutos depois e uma semana depois.

  • Leu 4 vezes
    83%
  • Leu 3 e tentou lembrar 1
    78%
  • Leu 1 e tentou lembrar 3
    71%

Cinco minutos depois, quem releu quatro vezes lembrava mais. E se sentia mais confiante.

Roediger e Karpicke, Psychological Science, 2006. Experimento 2, porcentagem das ideias do texto lembradas.

E depois do primeiro acerto?

Na Science, em 2008, estudantes aprenderam 40 pares de palavras em suaíli. Depois que acertavam um par, uma parte seguia tentando lembrá-lo e outra só seguia estudando. Uma semana depois:

80%seguiu tentando lembrar

36%só seguiu estudando

Estudar de novo o que você já sabe quase não somou. Tentar lembrar, sim. Karpicke e Roediger, Science, 2008.

Por que começar pelos erros?

Seu tempo de revisão é curto. A questão que você errou mostra, com endereço, onde a memória falhou. E a pesquisa mostra que é ali que a revisão rende mais.

O erro aponta a lacuna.

Um acerto confirma o que já está firme. O erro mostra o que ainda escapa: o assunto, o tema e a alternativa que te enganou.

Na MEDFYE, ele entra sozinho no Caderno de erros.

Errou com certeza? É o que mais fixa.

Erros cometidos com muita confiança são os mais corrigidos depois que a pessoa vê a resposta certa. A surpresa prende a atenção. É o efeito de hipercorreção.

Butterfield e Metcalfe, 2001.

Tentar antes ajuda, mesmo errando.

Tentar responder antes de ver a resposta, mesmo sem acertar, melhorou o aprendizado em relação a ler pergunta e resposta juntas. Por isso o flashcard esconde o verso.

Kornell, Hays e Bjork, 2009.

Cada revisão empurra o esquecimento para mais longe.

Revisar quando a memória começa a cair recomeça a curva, e ela passa a cair mais devagar. Arraste e veja o que cada revisão faz.

  • Lembrou? O próximo intervalo dobra
  • Cinco revisões cobrem mais de três meses
  • Esqueceu? O cartão volta em 10 minutos

Quanto espaçar?

Uma meta-análise de 317 experimentos confirmou que espaçar vence concentrar. Num estudo com mais de 1.350 pessoas, o melhor intervalo ficou perto de 20% do tempo até a prova, para provas a algumas semanas, e caiu para cerca de 5% com a prova a um ano.

Cepeda e colegas, Psychological Bulletin, 2006, e Psychological Science, 2008.

Chance de lembrar um cartão

5revisões feitas

96 diasaté a próxima

97%chance de lembrar no dia 100

  1. Dia 3
  2. Dia 9
  3. Dia 21
  4. Dia 45
  5. Dia 93

Modelo ilustrativo, não é medição: a memória cai de forma exponencial, e cada revisão com "Lembrei" dobra o intervalo, como na MEDFYE.

E com quem estuda Medicina? Também funciona.

Não é só com sílabas e listas de palavras. Estes estudos foram feitos com residentes e estudantes de Medicina.

Medical Education2009

39% × 26%

Acerto seis meses depois: tema testado × tema relido

Residentes, meio ano depois.

Residentes de Pediatria e Emergência tiveram aula de estado de mal epiléptico e miastenia grave. Cada um revisou um tema com testes e o outro relendo um resumo, três vezes em cerca de um mês. Seis meses depois, o tema testado venceu.

Larsen, Butler e Roediger. Ensaio randomizado.

Medical Education2007

6 a 11 meses

Tempo desde a disciplina entre os que mais ganharam

Questões espaçadas por e-mail.

Estudantes de Medicina receberam, toda semana, casos clínicos em forma de questão, com resposta e explicação. A retenção no fim do ano melhorou, e o ganho foi maior para quem tinha visto o conteúdo de 6 a 11 meses antes.

Kerfoot e colegas. Ensaio randomizado.

Perspectives on Medical Education2015

72 estudantes

Mais flashcards revisados, maior nota no USMLE Step 1

Flashcards e a prova de licença.

O número de flashcards diferentes revisados no Anki previu a nota do Step 1, mesmo levando em conta MCAT e notas da faculdade. O número de questões feitas também previu. É uma associação, não prova de causa.

Deng, Gluckstein e Larsen. Estudo observacional.

Mais de 140 anos de pesquisa apontando para o mesmo lado.

Da primeira curva do esquecimento às revisões sobre técnicas de estudo, os achados se somam: tentar lembrar, e espaçar as tentativas.

  1. 1885

    A primeira curva do esquecimento

    Hermann Ebbinghaus mede a própria memória por anos: a perda é rápida no começo e desacelera depois.

    Über das Gedächtnis
  2. 2001

    Erros com certeza se corrigem mais

    Butterfield e Metcalfe mostram que a resposta certa fixa melhor justo onde a pessoa errou confiante.

    Journal of Experimental Psychology
  3. 2006

    Tentar lembrar vence reler

    Roediger e Karpicke: uma semana depois, quem tentou lembrar guardou mais do que quem releu.

    Psychological Science
  4. 2006

    Espaçar vence concentrar

    Cepeda e colegas reúnem 839 comparações de 317 experimentos numa meta-análise.

    Psychological Bulletin
  5. 2008

    Seguir tentando depois do acerto

    Karpicke e Roediger: depois do primeiro acerto, reestudar quase não somou; tentar lembrar, sim.

    Science
  6. 2008

    O intervalo certo depende da prova

    Com mais de 1.350 pessoas: quanto mais longe a prova, maior o intervalo ideal entre as revisões.

    Psychological Science
  7. 2009

    Errar tentando também ensina

    Kornell, Hays e Bjork: tentativas sem acerto melhoraram o aprendizado que veio depois.

    Journal of Experimental Psychology
  8. 2013

    As técnicas que funcionam

    Dunlosky e colegas avaliam 10 técnicas de estudo. Só duas recebem utilidade alta: testar-se e espaçar o estudo. Reler e grifar, baixa.

    Psychological Science in the Public Interest
  9. 2015

    A curva, 130 anos depois

    Murre e Dros refazem o experimento de Ebbinghaus e encontram uma curva parecida com a original.

    PLOS ONE
Referências completas
  1. Ebbinghaus, H. (1885). Über das Gedächtnis: Untersuchungen zur experimentellen Psychologie. Leipzig: Duncker & Humblot.
  2. Butterfield, B., & Metcalfe, J. (2001). Errors committed with high confidence are hypercorrected. Journal of Experimental Psychology: Learning, Memory, and Cognition, 27(6), 1491–1494. doi.org/10.1037/0278-7393.27.6.1491
  3. Roediger, H. L., & Karpicke, J. D. (2006). Test-enhanced learning: Taking memory tests improves long-term retention. Psychological Science, 17(3), 249–255. doi.org/10.1111/j.1467-9280.2006.01693.x
  4. Cepeda, N. J., Pashler, H., Vul, E., Wixted, J. T., & Rohrer, D. (2006). Distributed practice in verbal recall tasks: A review and quantitative synthesis. Psychological Bulletin, 132(3), 354–380. doi.org/10.1037/0033-2909.132.3.354
  5. Kerfoot, B. P., DeWolf, W. C., Masser, B. A., Church, P. A., & Federman, D. D. (2007). Spaced education improves the retention of clinical knowledge by medical students: a randomised controlled trial. Medical Education, 41(1), 23–31. doi.org/10.1111/j.1365-2929.2006.02644.x
  6. Karpicke, J. D., & Roediger, H. L. (2008). The critical importance of retrieval for learning. Science, 319(5865), 966–968. doi.org/10.1126/science.1152408
  7. Cepeda, N. J., Vul, E., Rohrer, D., Wixted, J. T., & Pashler, H. (2008). Spacing effects in learning: A temporal ridgeline of optimal retention. Psychological Science, 19(11), 1095–1102. doi.org/10.1111/j.1467-9280.2008.02209.x
  8. Larsen, D. P., Butler, A. C., & Roediger, H. L. (2009). Repeated testing improves long-term retention relative to repeated study: a randomised controlled trial. Medical Education, 43(12), 1174–1181. doi.org/10.1111/j.1365-2923.2009.03518.x
  9. Kornell, N., Hays, M. J., & Bjork, R. A. (2009). Unsuccessful retrieval attempts enhance subsequent learning. Journal of Experimental Psychology: Learning, Memory, and Cognition, 35(4), 989–998. doi.org/10.1037/a0015729
  10. Dunlosky, J., Rawson, K. A., Marsh, E. J., Nathan, M. J., & Willingham, D. T. (2013). Improving students' learning with effective learning techniques. Psychological Science in the Public Interest, 14(1), 4–58. doi.org/10.1177/1529100612453266
  11. Murre, J. M. J., & Dros, J. (2015). Replication and analysis of Ebbinghaus' forgetting curve. PLOS ONE, 10(7), e0120644. doi.org/10.1371/journal.pone.0120644
  12. Deng, F., Gluckstein, J. A., & Larsen, D. P. (2015). Student-directed retrieval practice is a predictor of medical licensing examination performance. Perspectives on Medical Education, 4(6), 308–313. doi.org/10.1007/s40037-015-0220-x

Na MEDFYE, do erro à revisão em quatro passos.

Sem planilha e sem print. O erro entra sozinho no caderno, e o que merece virar cartão você escreve em segundos.

Pediatria › Infectologia › Sarampo

Criança de 3 anos com febre alta há 4 dias, tosse, coriza e conjuntivite. No exame, pontos esbranquiçados na mucosa jugal. Qual é o diagnóstico mais provável?

  1. A

    Escarlatina

  2. B

    RubéolaSua resposta

    Pródromo leve e sem manchas de Koplik.

  3. C

    SarampoCorreta

    Tosse, coriza, conjuntivite e manchas de Koplik antes do exantema.

  4. D

    Exantema súbito

Caderno de errosDa mais recente para a mais antiga
  • SarampoPediatria · você marcou B
    Nova
  • Gestação ectópicaObstetrícia · você marcou A
    Refazer
  • ColelitíaseCirurgia · você marcou D
    Refazer
  • Estudo de coortePreventiva · você marcou C
    Refazer

Cartão salvo na sua coleção

Pergunta · Sarampo Pontos esbranquiçados na mucosa jugal, com tosse, coriza e conjuntivite, antes do exantema. Qual doença? Escrito por você, a partir do erro
Resposta Sarampo. São as manchas de Koplik. Armadilha: rubéola não tem Koplik.

Toque em uma avaliação.

Lembra das sílabas do começo da página?

Marque as seis que você viu. Algumas das outras são parecidas de propósito.

Cinco regras para os flashcards dos seus erros funcionarem.

A ciência explica o porquê. Estas regras transformam isso em rotina.

  1. 01

    Responda antes de virar.

    De cabeça ou em voz alta. Só depois vire o cartão. É o esforço de buscar a resposta que fixa.

  2. 02

    Uma ideia por cartão.

    Pergunta curta, resposta curta. Se a resposta virou uma lista longa, divida em vários cartões.

  3. 03

    Escreva a armadilha.

    No verso, além da resposta certa, anote por que a alternativa que você marcou estava errada.

  4. 04

    Avalie com honestidade.

    Lembrou com muito esforço? É Difícil, não Lembrei. A sua avaliação decide quando o cartão volta.

  5. 05

    Pouco, todo dia.

    Comece o estudo pelos cartões vencidos. Espaçar rende mais do que uma maratona no fim de semana.

Cartão que não funciona

Pergunta vaga e resposta enorme: dá para achar que sabe sem lembrar de nada.

Cartão que funciona

Uma pergunta, uma resposta e a armadilha que te derrubou.

Dúvidas sobre os flashcards.

Ver planos
Preciso criar todos os cartões?

Não. A coleção inicial vem pronta, feita a partir das questões autorais da MEDFYE. Os cartões dos seus erros você cria com as suas palavras e pode editar ou excluir quando quiser.

E se eu não criar cartão de um erro?

Ele não se perde. Toda questão errada entra no Caderno de erros com a alternativa que você marcou e só sai quando você acerta. Na tela Revisões, cartões vencidos e questões erradas aparecem juntos.

Quanto tempo isso toma por dia?

O que estiver vencido no dia. Como o intervalo cresce a cada vez que você lembra, cada cartão aparece cada vez menos, e sobra tempo para o que é novo.

Isso substitui fazer questões?

Não. Questões também são tentar lembrar, e mostram o que falta. Os cartões cuidam do que você errou. Na MEDFYE, o erro ainda aumenta a prioridade do assunto na sua semana. Veja como a fila é calculada.

Pare de reaprender o que você já estudou.

Caderno de erros, flashcards e revisões no tempo certo, com 7 dias de garantia.

Ver planos

Os gráficos de revisão usam um modelo ilustrativo, não medições. Os números de Ebbinghaus são a economia ao reaprender, publicados em 1885; os demais vêm dos artigos citados. A questão e os cartões de sarampo são exemplos escritos para esta página. Pesquisas descrevem médias de grupos e não garantem resultado individual.